
DEAD SEA
Pletora
Daying, China
2018
texto de Paulo Kassab Jr.
Segundo Hanna Arendt, a sociedade moderna, como sociedade do trabalho, aniquila toda a possibilidade de agir, degradando o homem a animal de trabalho. O indivíduo moderno parece tão imerso na corrente do processo de vida que domina a geração, que a única decisão individual ativa é como renunciar à individualidade para funcionar melhor.
Quais são as implicações de uma civilização cada vez mais povoada, rodeada por um excesso de informação e de estímulos? Em contínua expansão, a humanidade parece enclausurada em si mesma, seja pelo trabalho obrigatório, pelo entretenimento fugaz ou simplesmente pela rotina. O desenvolvimento, através de factores como o crescimento do PIB, o rendimento pessoal, a industrialização, o avanço tecnológico ou a modernização social, tem-nos conduzido ao aumento exponencial da população mundial, não surgindo, no entanto, como garantia de expansão das liberdades individuais.
A exposição Plethora observa e analisa diferentes grupos humanos em grandes centros urbanos, recuperando o modo de vida de cada um em seus diversos aspectos. Independentemente do local (São Paulo, Nova York, Tóquio, Mumbai, Pequim e Jacarta) ou do tema abordado, o confinamento é um tema comum. Em cada imagem há uma certa contenção do corpo: mesmo quando os métodos de bloqueio ou correção não são claramente expostos, como em Locked Up, trata-se sempre do corpo - o corpo e as suas forças, a sua reclusão e submissão. De empregados fechados em escritórios a trabalhadores encaixotados em hotéis-cápsula, a privação passa de um preceito de sensações insuportáveis a uma economia de direitos suspensos.
Tal como nas séries anteriores, Júlio Bittencourt joga (mais uma vez) com a dualidade da fotografia, explorando-a tanto no seu carácter documental como concetual. Sem o compromisso jornalístico com a realidade e utilizando suas próprias possibilidades criativas, o artista não busca responder às questões detalhadas na exposição, mas nos provoca a debater sobre as conseqüências de um mundo superpovoado.
















