BIO
Aos 19 anos, comecei como estagiário ou melhor, como assistente do assistente em um jornal financeiro recém-lançado chamado Valor Econômico, em São Paulo. Meus dias eram preenchidos com idas e vindas para buscar café, descer até a lanchonete para levar algo para os mais velhos, correr até o laboratório alguns andares acima para pegar e devolver slides, de vez em quando escaneá-los, atender telefonemas frenéticos e ajudar a organizar milhares de negativos e slides no acervo. De vez em quando, ainda caía em alguma trote - como correr pelos sete andares do prédio procurando o tal do 'pó de foco' até sair às pressas para fotografar a 'frente fria' que supostamente estava chegando ao aeroporto. Um ano e meio trabalhando nesse ambiente foi, sem dúvida, a melhor escola que eu poderia ter tido.
Com o tempo, surgiu uma oportunidade e me tornei fotógrafo da equipe, fazendo principalmente retratos. Logo depois, parti para Moçambique — minha primeira experiência como fotógrafo solo e também a primeira vez que tentei realizar um projeto autoral. Como muitas vezes acontece na fotografia, o primeiro projeto não deu certo e o segundo, já de volta ao Brasil, também não vingou.
Foi na terceira tentativa, a apenas 20 minutos do apartamento da minha mãe em São Paulo que fotografei meu primeiro livro: 'Numa Jjnela do Edifício Prestes Maia 911', fruto de uma jornada que durou quatro anos.
Tendo passado a infância em São Paulo e a adolescência em Nova York, sempre fui fascinado por como ocupamos nossas cidades e por que vivemos da forma que vivemos. Nos últimos 23 anos, a fotografia tem sido a linguagem que encontrei para fazer perguntas sobre as questões sociais e políticas que surgem das relações entre as pessoas e o espaço em que vivem.
Ao longo dos anos, tive o privilégio de trabalhar com um grupo diverso de galerias, editores, curadores e clientes comerciais de todos os tamanhos e perfis que ajudaram a moldar meu percurso.
Hoje vivo entre Paris, São Paulo e a Normandia e sou representado pela Galeria Lume, em São Paulo, e pela Galeria da Gávea, no Rio de Janeiro.
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Julio Bittencourt nasceu no Brasil e cresceu entre São Paulo e Nova York.
Por meio de fotografia, vídeo e instalações, seus projetos exploram temas da vida urbana, identidade e questões sociais derivadas das relações entre as pessoas e seu ambiente.
Seus trabalhos foram exibidos em galerias e museus em mais de vinte países e seu trabalho foi publicado em revistas como LFI, Foam Magazine, GEO, TIME, The Wall Street Journal, Courrier International, The British Journal of Photography, Polka Magazine, The Guardian, The New Yorker, Esquire, Financial Times, Los Angeles Times, C Photo, GQ, Leica World Magazine e L'Insense, entre outras.
Bittencourt é autor de três livros: “Numa janela do Edifício Prestes Maia 911”, “Ramos” e “Dead Sea”.
Atualmente vive e trabalha entre Paris, São Paulo e a Normandia e é representado pela Galeria Lume em São Paulo e Galeria da Gávea no Rio de Janeiro, Brasil.
